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	<title>Arquivos ARTIGOS DE OPINIÃO - Gilliard Santos</title>
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	<title>Arquivos ARTIGOS DE OPINIÃO - Gilliard Santos</title>
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		<title>A arte é um direito humano</title>
		<link>https://gilliardsantos.art.br/a-arte-e-um-direito-humano/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gilliard Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Mar 2025 01:48:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ARTIGOS DE OPINIÃO]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Ferreira Gullar]]></category>
		<category><![CDATA[Redes sociais]]></category>
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<p>Quem é que não precisa de arte? Em meio a essas muitas redes “antissociais”, escutam-se e leem-se os maiores absurdos. Certa vez, tive o desprazer de ver uma postagem de uma criatura que se orgulhava dizendo não necessitar de artistas. Mas que absurdo!</p>



<p>Quer dizer que essa pessoa nunca se emocionou com uma música? Nunca apreciou uma pintura? Uma escultura? Que nunca assistiu a um filme? Que nunca foi a um circo?&#8230; Na verdade, o indivíduo em questão, ou é muito cínico ou, mais provavelmente, no alto de sua ignorância, nem sabe ao certo o que é arte.</p>



<p>Em 1948 a ONU adotou o documento intitulado “Declaração Universal dos Direitos Humanos”. Ele estabelece um conjunto de direitos e garantias fundamentais que deveriam ser asseguradas a todas as pessoas, independentemente de sua raça, sexo, nacionalidade, religião ou qualquer outra condição, ou seja, são aqueles direitos que qualquer indivíduo possui, a partir do nascimento, simplesmente por pertencer à espécie humana.</p>



<p>Entre essas garantias estão, por exemplo, a vida, a liberdade, a segurança, a alimentação, o direito à educação, o direito de não ser torturado, o direito de ir e vir, ao repouso, às férias e a condições dignas de trabalho, direito de opinião e expressão, bem como a reuniões e associações pacíficas, dentre outros. Na verdade, a maioria dos direitos listados nessa Declaração são, a meu ver, justos até mesmo para os animais, de tão básicos que são.</p>



<p>Embora hoje em dia esses conceitos venham sendo distorcidos por parte das pessoas, eles são as premissas para se construir um mundo minimamente civilizado. E, precisamente no seu artigo 27, essa declaração traz aquele que talvez seja o direito mais específico para os seres humanos, aquilo que mais nos diferencia e afasta dos animais: o direito à arte. E numa sociedade tão violenta, tão brutal, tão animalesca (no pior dos sentidos), faz-se ainda mais necessário que se promova a arte e cultura em nosso dia a dia.</p>



<p>Mas viremos o jogo! Usemos essas mesmas redes que tanto espalham mentiras e ódio, para despejarmos toneladas de manifestações artísticas, em formato de música, de poesia, de artes visuais&#8230; E procuremos também divulgar os artistas, os produtores da arte, sobretudo aqueles menos conhecidos e/ou que ainda possuem “pouca relevância” nesse mundo virtual. Isso custa zero real.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme dizia o poeta Ferreira Gullar, “<em>a arte existe porque a vida não basta</em>”. Nesse sentido, como direito humano que é, procuremos fazer com que ela componha a nossa “cesta-básica” ou a nossa caixa de primeiros socorros, posto que a arte é, também, um remédio para a alma. Portanto, divulgue arte, consuma arte e, se possível, produza-a também (Do it yourself), em qualquer que seja o formato escolhido. Assim poderemos preencher o espaço daquilo que torna cada um de nós humano, demasiado humano.</p>
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		<title>Defender cortes em educação é o cúmulo da burrice!</title>
		<link>https://gilliardsantos.art.br/defender-cortes-em-educacao-e-o-cumulo-da-burrice/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gilliard Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 18 May 2019 22:50:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ARTIGOS DE OPINIÃO]]></category>
		<category><![CDATA[Dilma]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Educação Pública]]></category>
		<category><![CDATA[Governo Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[PT]]></category>
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<p>Estes últimos tempos têm sido difíceis, sobretudo no que se refere à política brasileira. De uns anos para cá, temos visto uma insanidade coletiva, na qual muitas pessoas, sem nenhuma vergo...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Estes últimos tempos têm sido difíceis, sobretudo no que se refere à política brasileira. De uns anos para cá, temos visto uma insanidade coletiva, na qual muitas pessoas, sem nenhuma vergonha, têm defendido as ideias mais absurdas, sobretudo, em seus perfis de redes sociais.</p>



<p>Nestes primeiros meses do governo Bolsonaro, temos presenciado uma série de trapalhadas. Se bem que chamar de governo um grupo de pessoas que vive batendo cabeça é ser demasiado generoso. Mas, enfim, o fato é que temos visto de tudo: insultos públicos entre membros do alto escalão, trocas sucessivas de cargos ligados a vários ministérios, sobretudo na pasta de educação, além das incontáveis idas e vindas em decisões tomadas pelo chefe do executivo.</p>



<p>E nesse conturbado contexto, o alvo mais recente parece ter sido as universidades. Inicialmente, foi anunciado que as instituições que fizessem “balbúrdia” teriam corte de orçamento; depois, o corte (ou contingenciamento, como alguns tentam enfeitar) passou a ser geral. Mais recentemente ainda, foi retirada a autonomia dos reitores para fazer nomeações. Um retrocesso sem tamanho.</p>



<p>E os ceguidores do Bolsonaro (isso mesmo, cegos seguidores), muitas vezes, pessoas que nunca pisaram os pés em uma Universidade Pública (e não me refiro a se matricular, falo de entrar nas instalações, conhecer minimamente), começaram a criticar a instituições de ensino superior brasileiras com base em boatos, ou baseados em vídeos postados nas redes sociais, vídeos esses, muitas vezes, fora de contexto, como forma de justificar o ataque do governo à educação.</p>



<p>Ainda tentando justificar o ataque à educação, os ceguidores do presidente citam o PT o tempo todo, como se mencionando alguma falha cometida por Lula ou Dilma pudessem amenizar o desastre que tem sido as ações empreendidas por Bolsonaro e sua trupe. E a ideia não era, justamente, fazer diferente do PT?</p>



<p>Todos sabemos que o PT cometeu erros e que esses erros não foram poucos. Ponto. Mas é inegável o quanto o acesso à educação melhorou nos últimos anos. Quando cursei o ensino médio, em escola pública, não tínhamos sequer livros didáticos. Quando eu estava concluindo, já no primeiro mandato de Lula, foi que começaram a chegar livros para o primeiro ano. Hoje, ao menos a estrutura das escolas de ensino médio melhorou consideravelmente. Com relação ao acesso ao ensino superior, houve a democratização do acesso às universidades e institutos federais, com a adoção do ENEM como forma de ingresso; foram criadas muitas universidades, com oferta de cursos em várias cidades do interior e, nesse embalo, o número de alunos matriculados em cursos de graduação aumentou de maneira acentuada; os investimentos em educação, idem.</p>



<p>O PT beneficiou os pobres e os avanços sociais são notórios. Por outro lado, os governos petistas, com sua conciliação de classes, foram muitos generosos também com os banqueiros, e com os ricos, em geral. Foi um governo que, até certo ponto, agradou gregos e troianos. No entanto, quando a situação apertou, a corda quebrou do lado mais fraco (como sempre) e a classe menos favorecida foi que pagou a conta em razão das infames políticas de austeridade adotadas por Dilma, sobretudo, a partir da nomeação de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda, em 2015.</p>



<p>Vimos, no dia 15 de maio de 2019, uma grande manifestação popular em todo o Brasil contra os cortes impostos pelo governo Bolsonaro. A educação é um tema que (assim como a saúde) deveria ser unanimidade, porque não é uma pauta partidária, não se trata da discussão de esquerda e direita, é algo que beneficia a todos os cidadãos e, mais ainda, àqueles que não podem pagar por esses serviços.</p>



<p>Nestes tempos conturbados em que vivemos, respeito aquelas pessoas que, por qualquer que seja o motivo, não quiseram, ou não puderam ir às ruas em passeata defender a educação pública, mas uma coisa é certa e não há como falar bonito, não há como criar eufemismos: ficar nas redes sociais defendendo cortes de investimentos em educação é o cúmulo da burrice. Ponto final.</p>



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<p>Fontes:<br><br><a href="https://economiadeservicos.com/2016/10/25/panorama-da-educacao-superior-no-brasil/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://economiadeservicos.com/2016/10/25/panorama-da-educacao-superior-no-brasil/</a></p>



<p><a href="https://www.opovo.com.br/noticias/politica/2019/05/16/bolsonaro-assina-decreto-que-retira-autonomia-dos-reitores-para-fazer-nomeacoes.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.opovo.com.br/noticias/politica/2019/05/16/bolsonaro-assina-decreto-que-retira-autonomia-dos-reitores-para-fazer-nomeacoes.html</a></p>
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		<title>Que tempos são estes?</title>
		<link>https://gilliardsantos.art.br/que-tempos-sao-estes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gilliard Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Mar 2019 22:21:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ARTIGOS DE OPINIÃO]]></category>
		<category><![CDATA[Fascismo]]></category>
		<category><![CDATA[Fascista]]></category>
		<category><![CDATA[Jair Messias Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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<p>De tempos em tempos, vejo circular entre as pessoas que fazem parte da minha bolha nas redes sociais a sempre conveniente pergunta retórica, atribuída ao dramaturgo alemão Bertold Brecht, u...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>De tempos em tempos, vejo circular entre as pessoas que fazem parte da minha bolha nas redes sociais a sempre conveniente pergunta retórica, atribuída ao dramaturgo alemão Bertold Brecht, um dos maiores escritores do século XX: “que tempos são estes em que temos que defender o óbvio?”.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para ficar apenas no campo da política, que é uma área, quer queiramos ou não, extremamente importante para nossa vida, os acontecimentos dos últimos tempos têm levado aqueles que se interessam pelo assunto a levantar várias reflexões, possibilitando demoradas discussões, ainda que através de uma tela. E mesmo os que dizem não gostar de política, creio que fiquem pensativos sobre os inúmeros fatos que repercutem a cada semana.</p>



<p>Vivemos em tempos tão surreais que muitas vezes tendemos a nos acostumar com certos absurdos. E cada notícia que envolve direta ou indiretamente o Presidente da República e seus filhos parece não gerar mais tanto espanto, por termos criado uma noção coletiva de que os ditos cujos são mesmo sem noção. E assistimos todos os dias, em meio aos laranjais da política brasileira, as relações milicianas, nada republicanas; E entre tantos imbróglios, muitos brasileiros, até mesmo, chegam a ter plena convicção de que a família Bolsonaro é criminosa. No entanto, não há provas e, como bem sabemos, as convicções só servem para incriminar certos membros barbudos da esquerda.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como exemplo dos absurdos mencionados, podemos lembrar dos autoexílios que têm ocorrido neste início de 2019. Primeiro foi o Deputado Jean Wyllys, que, no final de janeiro, abriu mão do terceiro mandato de deputado federal para o qual foi eleito, para ir embora do Brasil, por ser ameaçado de morte com certa frequência; depois, em 11 de março, a filósofa e candidata à prefeitura do Rio de Janeiro em 2018 pelo PT, Márcia Tiburi, anunciou que deixaria o país, também após sofrer ameaças. Quatro dias mais à frente, o escritor Anderson França anunciou sua saída do Brasil, por motivo semelhante e, por último, em 18 de março, foi a vez do professor Pedro Mara anunciar que deixaria o Rio, após receber a informação de que teve sua vida pesquisada por Ronnie Lessa, aquele vizinho de Bolsonaro acusado de assassinar Marielle Franco.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em relação a esses exílios, alguns setores da direita chegaram a minimizá-los, ou relativizá-los, dizendo que são exagerados; outras pessoas, como o próprio Presidente (que, em sua postura, mais parece um adolescente de 13 anos) chegou a comemorar, por exemplo, a saída de Jean, seu desafeto político. Mas o que devemos observar, com preocupação, é que estamos no limite e é um óbvio ululante que devamos prezar pela integridade, inclusive, dos nossos adversários políticos. É inadmissível, também, o episódio da facada a Bolsonaro durante a campanha. Sejamos minimamente sensatos.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Estamos vivendo um período de grande escalada da violência, sobretudo da violência política. Marielle foi brutalmente assassinada; Marcelo Freixo também sofre, há muito tempo, ameaças de morte e em dezembro de 2018 a polícia desarticulou um plano em que milicianos estavam prestes a assassiná-lo. Nesse contexto, qualquer ameaça deve ser levada a sério e investigada com rigor.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O fato é que, como diz uma frase memorável, também atribuída a Brecht: “a cadela do fascismo está sempre no cio”. Marcia Tiburi escreveu, em 2015, um livro intitulado “Como Conversar com um Fascista”, obra que traz um título polêmico, mas que carrega certo grau de ironia. O fato é que alguns engraçadinhos de <em>internet</em> chegaram a afirmar que a autora escreveu o livro, mas não quis dialogar com os tais fascistas. Na verdade, como determina uma outra frase que circula com frequência na minha bolha virtual, e, desta vez, não faço ideia de quem seja o autor: “o fascismo não se discute, se destrói”. É a mais pura verdade.</p>



<p>Bertold Brecht vivenciou a crise alemã após a Primeira Guerra Mundial, presenciou a ascensão do regime nazista de Hitler, exilou-se e, em sua obra, deixou-nos tantas reflexões. Hoje, quase um século depois, vivemos, em certa medida, os mesmos desafios, os mesmos dramas, os mesmos medos e, invariavelmente, temos que continuar a defender o óbvio.</p>



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<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="lFQvJz895l"><a href="https://www.cartacapital.com.br/politica/sob-ameacas-marcia-tiburi-decide-sair-do-brasil/">Sob ameaças, Márcia Tiburi decide sair do Brasil</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Sob ameaças, Márcia Tiburi decide sair do Brasil&#8221; &#8212; CartaCapital" src="https://www.cartacapital.com.br/politica/sob-ameacas-marcia-tiburi-decide-sair-do-brasil/embed/#?secret=lFQvJz895l" data-secret="lFQvJz895l" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
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<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="AX7w5arcEx"><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/como-conversar-com-um-fascista-tres-anos-depois/">&#8216;Como conversar com um fascista&#8217;, três anos depois</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;&#8216;Como conversar com um fascista&#8217;, três anos depois&#8221; &#8212; Revista Cult" src="https://revistacult.uol.com.br/home/como-conversar-com-um-fascista-tres-anos-depois/embed/#?secret=AX7w5arcEx" data-secret="AX7w5arcEx" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
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<p><a href="https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2018/12/13/policia-civil-investiga-plano-para-matar-deputado-marcelo-freixo.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2018/12/13/policia-civil-investiga-plano-para-matar-deputado-marcelo-freixo.ghtml</a></p>



<p><a href="https://extra.globo.com/casos-de-policia/apos-ser-pesquisado-por-acusado-de-matar-marielle-professor-deixa-rio-estou-absolutamente-triste-23530501.html?utm_source=WhatsApp&amp;utm_medium=Social&amp;utm_campaign=compartilhar&amp;fbclid=IwAR0ZNGMYGKrhPCh0Q0seG3sUXqBEtkmpeScj_MaA_hTj1iSZ-56prIKYf5Y" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://extra.globo.com/casos-de-policia/apos-ser-pesquisado-por-acusado-de-matar-marielle-professor-deixa-rio-estou-absolutamente-triste-23530501.html?utm_source=WhatsApp&amp;utm_medium=Social&amp;utm_campaign=compartilhar&amp;fbclid=IwAR0ZNGMYGKrhPCh0Q0seG3sUXqBEtkmpeScj_MaA_hTj1iSZ-56prIKYf5Y</a></p>



<p><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/01/24/politica/1548364530_154799.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://brasil.elpais.com/brasil/2019/01/24/politica/1548364530_154799.html</a></p>



<p><a href="https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2019/03/nao-lembro-desse-cara-diz-bolsonaro-sobre-vizinho-suspeito-de-matar-marielle.shtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2019/03/nao-lembro-desse-cara-diz-bolsonaro-sobre-vizinho-suspeito-de-matar-marielle.shtml</a></p>



<p><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/noticia/2019/02/os-afetos-e-o-desabafo-de-anderson-franca-apos-deixar-o-pais-devido-a-ameacas-de-morte-cjs50ftkm01cb01mr72lcspx9.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/noticia/2019/02/os-afetos-e-o-desabafo-de-anderson-franca-apos-deixar-o-pais-devido-a-ameacas-de-morte-cjs50ftkm01cb01mr72lcspx9.html</a></p>
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		<item>
		<title>Não foi acidente</title>
		<link>https://gilliardsantos.art.br/nao-foi-acidente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gilliard Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Feb 2019 06:38:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ARTIGOS DE OPINIÃO]]></category>
		<category><![CDATA[Acidente]]></category>
		<category><![CDATA[Barragem]]></category>
		<category><![CDATA[Brumadinho]]></category>
		<category><![CDATA[Ricardo Boechat]]></category>
		<category><![CDATA[Samarco]]></category>
		<category><![CDATA[Vale]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O ano de 2019 começou de maneira desastrosa. Passados apenas o mês de janeiro e alguns dias de fevereiro, já era possível elencar, pelo menos, três acontecimentos trágicos que ganharam repercussão nacional e até mesmo fora do país: o rompimento da barragem de rejeitos em Brumadinho/MG (entre mortos e desaparecidos, somam mais de 300 pessoas), os alagamentos no Rio de Janeiro (7 mortos) e o incêndio no Centro de Treinamento do Flamengo (10 mortos).</p>



<p>Dentre os casos mencionados, Brumadinho é o mais trágico, quando se leva em consideração o número de mortos. O desastre é, na verdade, uma espécie de repetição do que aconteceu em Mariana três anos antes. Assim como em 2015, um amontoado de lixo industrial (ao qual se convencionou a chamar de lama) devastou cidades, destruiu rios e deixou um longo rastro de destruição. Foi um prejuízo incalculável, pois além das famílias afetadas diretamente com a morte de parentes, a população que vive no entorno da área ficou impactada de inúmeras formas. Além do mais, quando há a perda de um bem ambiental e da biodiversidade contida nele, toda a humanidade, indiretamente, sai prejudicada, pois essas áreas jamais serão como antes.</p>



<p>Aqui cabe mencionar um infeliz clichê, de que o crime (pelo menos o ambiental) no Brasil compensa, pois, a Samarco, empresa ligada à Vale S.A. e causadora do desastre ocorrido em 2015, não pagou, até o início de 2019, nenhuma multa pelo rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana-MG. Na verdade, isso mostra apenas a nuance de um Brasil que dá muitas brechas para que os ricos e poderosos não sejam responsabilizados por seus atos. Devido a esse desprezo com o Meio Ambiente, algumas empresas preferem correr o risco de serem eventualmente penalizadas com possíveis ocorrências, já que, no final das contas, não resultará em nada.</p>



<p>No que diz respeito aos deslizamentos causados pelos temporais no Rio de Janeiro, da mesma forma, é possível falar na omissão de quem deveria “cuidar das pessoas”, como anunciava em campanha o atual prefeito Marcelo Crivella. É que, no caso específico de uma cidade, a prefeitura deveria investir em infraestrutura e estar atenta a qualquer evento que pudesse afetar a vida dos cidadãos. E o Rio é, sabidamente, uma cidade acidentada, cheia de morros e que, além do mais, enfrenta, periodicamente, grandes temporais. Mas, ainda assim, o que se verifica é que a prefeitura reduziu em 77% os gastos com controle de enchentes nos últimos cinco anos.</p>



<p>Em relação ao caso dos meninos do Flamengo, foi uma tragédia emblemática. Dez jovens perderam suas vidas nas instalações do time de maior torcida do país (torcida da qual faz parte, inclusive, o cronista que vos escreve). Esses meninos tinham toda uma vida pela frente, poderiam se destacar no futebol, poderiam se tornar ídolos do clube. As famílias, algumas de outros estados, tiveram que enfrentar a dor da perda dos filhos… De maneira particularmente tocante, a mãe de uma das vítimas (Arthur Vinícius, de 14 anos) é viúva e enterrou seu único filho.</p>



<p>Por outro lado, esse incêndio chama a atenção pela forma como um dos maiores e mais ricos clubes do Brasil trata seus jovens atletas, em instalações que deixam a desejar na questão da segurança e foi verificado, inclusive, o uso de “gambiarras” nos aparelhos de ar-condicionado, justamente onde teria começado o fogo. Além do mais, há indícios de que nas paredes dos contêineres houvesse a presença de poliuretano, material inflamável, bastante conhecido por ter servido de combustível no incêndio da Boate Kiss, em 2013, que matou 242 pessoas em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Fica a esperança de que o caso seja apurado e que os responsáveis sejam rigorosamente punidos, até mesmo para que sirva de exemplo aos outros clubes brasileiros.</p>



<p>E de tragédia em tragédia, a história vai, tristemente, se repetindo. São casos e mais casos, alguns de menor repercussão, como o incêndio no galpão da Usina de Belo Monte, no Pará ou o incêndio que atingiu o alojamento do Bangu, um outro clube de futebol carioca, ambos os casos ocorridos no dia 11 de fevereiro, mas que, felizmente, não deixou nenhuma vítima fatal. Aliás, nessa segunda-feira ocorreu, também, a trágica morte do jornalista Ricardo Boechat e do piloto do helicóptero em que ambos seguiam.</p>



<p>Os acontecimentos citados neste texto chocam de maneira distinta, cada um pela sua peculiaridade, mas todos os casos têm um ponto em comum: eram absolutamente evitáveis e ocorreram devido à irresponsabilidade ou omissão de alguém ou de alguma empresa. Nenhum dos eventos ocorridos era absolutamente imprevisível, portanto, nenhum deles foi acidente (excetuando-se, talvez, ou não, o caso de Boechat). “Torçamos” (e lutemos) para que não haja mais tragédias neste ano. E aqui, refiro-me, inclusive, àquelas de ordem social, defendidas pelo governo em exercício.</p>



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<p><a href="https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2019/02/07/prefeitura-do-rio-reduziu-em-77-as-despesas-com-controle-de-enchentes-nos-ultimos-5-anos.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2019/02/07/prefeitura-do-rio-reduziu-em-77-as-despesas-com-controle-de-enchentes-nos-ultimos-5-anos.ghtml</a></p>



<p><a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2019/01/29/ibama-diz-que-samarco-nao-pagou-nenhuma-multa-aplicada-pelo-orgao-apos-desastre-em-mariana.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://g1.globo.com/politica/noticia/2019/01/29/ibama-diz-que-samarco-nao-pagou-nenhuma-multa-aplicada-pelo-orgao-apos-desastre-em-mariana.ghtml</a></p>



<p><a href="https://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2019/02/10/no-dia-dos-15-anos-de-arthur-sua-mae-marilia-consola-amigos-em-seu-enterro.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2019/02/10/no-dia-dos-15-anos-de-arthur-sua-mae-marilia-consola-amigos-em-seu-enterro.htm</a></p>



<p><a href="https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2019/02/08/veja-que-sao-as-vitimas-do-incendio-no-ninho-do-urubu-ct-do-flamengo.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2019/02/08/veja-que-sao-as-vitimas-do-incendio-no-ninho-do-urubu-ct-do-flamengo.ghtml</a></p>



<p><a href="https://www.bol.uol.com.br/esporte/2019/02/09/policia-apura-presenca-de-poliuretano-em-conteiner-de-incendio-no-ct-do-fla.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.bol.uol.com.br/esporte/2019/02/09/policia-apura-presenca-de-poliuretano-em-conteiner-de-incendio-no-ct-do-fla.htm</a></p>



<p><a href="https://www.bol.uol.com.br/esporte/2019/02/10/depoimento-cita-gambiarra-em-ar-condicionado-que-originou-incendio-no-fla.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.bol.uol.com.br/esporte/2019/02/10/depoimento-cita-gambiarra-em-ar-condicionado-que-originou-incendio-no-fla.htm</a></p>



<p><a href="https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2019/02/11/incendio-atinge-usina-de-belo-monte-no-pa.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2019/02/11/incendio-atinge-usina-de-belo-monte-no-pa.ghtml</a></p>



<p><a href="https://globoesporte.globo.com/futebol/noticia/incendio-atinge-alojamento-do-bangu-e-tres-jogadores-sao-encaminhados-para-o-hospital.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://globoesporte.globo.com/futebol/noticia/incendio-atinge-alojamento-do-bangu-e-tres-jogadores-sao-encaminhados-para-o-hospital.ghtml</a></p>
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		<title>Você precisa de alguém que te dê segurança</title>
		<link>https://gilliardsantos.art.br/voce-precisa-de-alguem-que-te-de-seguranca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gilliard Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Dec 2018 05:20:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ARTIGOS DE OPINIÃO]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Medo]]></category>
		<category><![CDATA[Segurança]]></category>
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<p>A música “segurança”, de 1986, da banda gaúcha Engenheiros do Havaii traz um cenário em que uma pessoa (provavelmente uma garota) se apaixona por um rapaz rico, cheio de estilo, “cheio de moral”. A letra sugere, ainda, que a garota seria insegura e precisaria de alguém que lhe desse segurança.</p>



<p>A palavra “segurança” pode ser usada em diversos contextos, já que muitos são os significados desse termo. De maneira mais objetiva, o dicionário Michaelis On-Line elenca, além de algumas expressões idiomáticas relacionadas ao conceito, onze significados para o verbete “segurança”, dentre eles: “condição marcada por uma sensação de paz e tranquilidade” e “condição ou estado do que está livre de danos ou riscos”.</p>



<p>Na década de 1940 o psicólogo norte-americano Abraham Maslow (1908-1970) desenvolveu sua conhecida Teoria da Hierarquia das Necessidades, onde cita cinco necessidades próprias aos seres humanos, intrinsecamente relacionadas à motivação. Nessa teoria a necessidade de segurança está no segundo nível de prioridade, perdendo apenas para as necessidades fisiológicas (necessidades do corpo, como água e comida e sono). Para o autor, a necessidade de segurança compreende a busca por estabilidade, mas essa necessidade pode funcionar como um fator dominante mobilizador em situações de emergência como, por exemplo, na escalada da violência, como vemos atualmente em nossa realidade.</p>



<p>Maslow exemplifica que diante do medo e das adversidades enfrentadas no dia a dia, alguns adultos acabam se comportando como uma criança com medo, reagindo, muitas vezes, de maneira impensada. Nesse sentido, nas palavras do autor, em seu artigo de 1943, intitulado <em>A Theory of Human Motivation</em>: a necessidade de proteção e o desespero causado por ela pode fazer com que muitas pessoas busquem alguém que considerem forte, alguém de quem possam depender ou, talvez, um <em>fuhrer</em>.</p>



<p>Nesse mesmo sentido, a música dos Engenheiros, composta por Humberto Gessinger, tem um refrão de melodia memorável e que, de certo modo, “rima” com a teoria de Maslow. Essas duas referências nos fazem lembrar da atual situação da sociedade brasileira que, cansada de tanta criminalidade, clama por quaisquer saídas que possam lhe dar segurança. Nesse desespero, os cidadãos, na condição de eleitores, têm apresentado nas últimas eleições uma tendência a votarem em candidatos que prometem (muitas vezes, sabendo que não podem cumprir) acabar com a violência e promover mais segurança.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E muitos políticos surfam na onda de medo que assola o país e ganham popularidade (e votos) a partir de seu discurso inflamado, prometendo fórmulas simplistas e soluções fáceis, afirmando, por exemplo, que “bandido bom é bandido morto”, que o Brasil necessita de “leis mais duras”, que é preciso aumentar a repressão&#8230; E assim vai crescendo a cada pleito a famigerada “Bancada da Bala”, no Congresso Federal.</p>



<p>Para se ter uma ideia, podemos analisar a situação do Estado do Ceará onde, em 2014, os deputados estadual e federal mais votados foram Moroni Torgan (DEM) e Capitão Wagner (PR), respectivamente, ambos com o explícito apelo em relação à segurança. Em 2018, por sua vez, o deputado federal mais votado foi Capitão Wagner (desta vez, pelo PROS) enquanto o estadual foi André Fernandes (PSL), este que, mesmo não tendo a segurança como pauta exclusiva, faz parte de um partido que traz essa bandeira de forma explícita e que aumentou a bancada de deputados de maneira meteórica, à sombra da figura de Jair Bolsonaro.</p>



<p>Ainda a título de exemplo, não podemos deixar de citar a própria eleição de Bolsonaro para presidente da república. O resultado da eleição traz vários pontos de análise possíveis, mas, dentre tantas outras questões polêmicas, fica claro que o discurso belicoso e armamentista foi um forte aliado do presidente eleito durante a corrida eleitoral.</p>



<p>É necessário, contudo, travar um debate mais profundo acerca do tema da violência, pois não se resolve o problema da criminalidade apenas com policiamento e muito menos incentivando as pessoas a terem armas. Além do mais, é inequívoco que o policial deve ser melhor remunerado, melhor treinado e mais valorizado. Sem dúvidas. No entanto, investir apenas em aparato policial para combater questões complexas que desencadeiam violência pode ser tão eficiente como enxugar gelo, pois muitas vezes não se busca resolver os problemas em sua raiz, de maneira realmente eficaz, mas apenas contornar seus efeitos.</p>



<p>É preciso segurança. Nisso creio que eu, você, Gessinger e Maslow sejamos unânimes. Entretanto, os políticos (e, antes deles, a população que os elege) precisam compreender que para termos um país mais pacífico é necessário realizar um alto investimento em educação, arte, cultura e desporto, em opções de trabalho e renda e em perspectivas de vida digna, sobretudo para os jovens. Enquanto isso não acontecer, seguindo o refrão da música, todos “dançaremos”.</p>



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<p><a href="https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/10/09/eleicoes-2018-bancada-da-bala-senado-major-olimpio-bolsonaro.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/10/09/eleicoes-2018-bancada-da-bala-senado-major-olimpio-bolsonaro.htm</a></p>



<p><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-43071854" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.bbc.com/portuguese/internacional-43071854</a></p>
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		<title>A eleição acabou. A luta apenas começou!</title>
		<link>https://gilliardsantos.art.br/a-eleicao-acabou-a-luta-apenas-comecou/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gilliard Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Nov 2018 05:13:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ARTIGOS DE OPINIÃO]]></category>
		<category><![CDATA[2018]]></category>
		<category><![CDATA[28 de outubro]]></category>
		<category><![CDATA[Democracia]]></category>
		<category><![CDATA[Eleição]]></category>
		<category><![CDATA[Jair Messias Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Presidente brasileiro]]></category>
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<p>“A democracia é a pior forma de governo, com exceção de todas as demais”, teria dito o primeiro<strong>-</strong>ministro britânico Winston Churchill (1874-1965). A democracia brasileira, e...</p>
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<p>“A democracia é a pior forma de governo, com exceção de todas as demais”, teria dito o primeiro<strong>&#8211;</strong>ministro britânico Winston Churchill (1874-1965). A democracia brasileira, especificamente, tem falhas bastante consideráveis, mas isso só faz com que os que se consideram verdadeiros democratas lutem para aperfeiçoá-la, nunca para extingui-la.</p>



<p>Em 28 de outubro de 2018<strong>,</strong> Jair Messias Bolsonaro foi eleito o 38° presidente brasileiro, com quase 58 milhões de votos. Foi o escolhido pela maioria e, gostemos ou não, será o presidente de todos. Devemos ter consciência de que nem sempre ganha aquele em quem votamos e isso faz parte da democracia. Uma atitude sempre nobre por parte do lado derrotado é reconhecer a vitória do candidato eleito, o que Fernando Haddad fez de pronto<s>,</s> no mesmo dia da eleição. Suspeita-se, no entanto, que Bolsonaro não tivesse feito o mesmo, caso tivesse perdido, pois em mais de uma oportunidade pôs em xeque a idoneidade do processo eleitoral e, no primeiro turno, vários de seus eleitores divulgaram vídeos mentirosos nas redes sociais, com infundadas denúncias de fraudes nas urnas.</p>



<p>Deve-se frisar, no entanto, que há um receio (alimentado pelos reiterados discursos do próprio Bolsonaro) de que possamos vivenciar um governo autoritário, com restrição às liberdades individuais e coletivas. Podemos ter um governo que ameace a laicidade do estado (que, convenhamos, nunca foi muito respeitada), que coloque em risco a integridade das minorias, que desrespeite os direitos humanos, que persiga opositores (os marginais vermelhos, que devem ser banidos) e que possa colocar em risco o próprio processo democrático.</p>



<p>Reiteramos as imperfeições da democracia brasileira e podemos citar, por exemplo, a forte presença do poder econômico, já que<strong> </strong>cresceu para 388, em 2018, o número de deputados estaduais milionários eleitos. Infelizmente, costumam ser eleitos com mais frequência os que realizam campanhas mais caras. Outra distorção considerável é a questão das notícias falsas, as famosas <em>Fake News</em>. Esse problema pode ter interferido de maneira decisiva nas eleições brasileiras deste ano, assim como já havia sido observado nas eleições dos Estados Unidos e no referendo do <em>Brexit</em>, ambos em 2016.</p>



<p>Para aqueles que valorizam a democracia, foi um grande retrocesso ter que presenciar alguns setores da imprensa com uma preocupação constante de que o presidente brasileiro eleito fizesse menção no discurso, logo após anunciado o resultado das urnas, de que respeitaria a carta magna. Eram marcantes os comentários, otimistas, pelo fato de Bolsonaro ter em sua mesa a Constituição e um livro do democrata autor da frase que abriu este texto.</p>



<p>Um outro ponto, também muito importante para a manutenção de qualquer democracia, é a liberdade para se fazer oposição. Ser oposição, neste caso, não significa ser contrário a qualquer medida que venha do governo, mas implica em, por exemplo, lutar contra ações que representem retrocessos sociais, contra retiradas de direitos, contra qualquer ataque à Amazônia e ao meio ambiente, em geral, contra ações que possam nos aproximar de um governo ditatorial e a luta constante em defesa de um país soberano e com oportunidades para todos.</p>



<p>Com relação ao presidente eleito, seguem as movimentações em torno da escolha da equipe que comporá o governo, com a definição de alguns ministérios. Esse processo gera uma série de especulações. De certo mesmo, até agora, temos a triste notícia do fim da parceria com Cuba em relação aos profissionais que faziam parte do Programa Mais Médicos. O fato é deveras negativo, pois muitas cidades pobres poderão ficar sem atendimento, já que muitos médicos brasileiros não querem trabalhar em municípios afastados dos grandes centros.</p>



<p>Sobre as demais decisões do governo, devemos ter cautela e aguardar o mandato, de fato, iniciar. É certo que algumas escolhas de ministros possam ter sido desastrosas ou equivocadas, mas sejamos sensatos e aguardemos o próximo ano. Além do mais, devemos reconhecer que a maioria dos brasileiros escolheram essa maneira de governar. Apesar de tudo, temos a certeza de que aqueles que realmente querem um Brasil menos desigual não se acovardarão e estarão na resistência, nas ruas e nas redes, contra qualquer ameaça ao país. Devemos ficar sempre alertas, pois a eleição acabou, mas a luta está apenas começando.</p>



<p>Como bons democratas devemos torcer, de maneira sincera, que Bolsonaro faça um bom governo. Sabemos que poderão haver muitos retrocessos sociais e que vários direitos trabalhistas e garantias históricas estarão em constante risco. Mas, apesar de tudo que possa vir de ruim, é possível, também, que o governo acerte em tantas outras medidas e cabe aos brasileiros de bom senso ter ao menos a esperança de que o Brasil esteja melhor daqui a quatro anos. Seria insanidade de nossa parte ficar na torcida pelo desastre do país.</p>



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<p><a href="https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/10/28/haddad-reconhece-derrota-bolsonaro-presidente-eleicoes-2018.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/10/28/haddad-reconhece-derrota-bolsonaro-presidente-eleicoes-2018.htm</a></p>



<p><a href="https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2018/eleicao-em-numeros/noticia/2018/10/10/numero-de-milionarios-eleitos-deputados-estaduais-cresce-no-brasil-mas-patrimonio-medio-cai.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2018/eleicao-em-numeros/noticia/2018/10/10/numero-de-milionarios-eleitos-deputados-estaduais-cresce-no-brasil-mas-patrimonio-medio-cai.ghtml</a></p>
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		<title>Direitos humanos para&#8230; humanos!</title>
		<link>https://gilliardsantos.art.br/direitos-humanos-para-humanos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gilliard Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 20 Oct 2018 06:04:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ARTIGOS DE OPINIÃO]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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<p>Vez por outra presenciamos pessoas reclamando dos direitos humanos, sobretudo nas redes sociais. Muitas dessas pessoas afirmam que “são contra” os direitos humanos, que direitos humanos “nã...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Vez por outra presenciamos pessoas reclamando dos direitos humanos, sobretudo nas redes sociais. Muitas dessas pessoas afirmam que “são contra” os direitos humanos, que direitos humanos “não servem para nada”, que o “pessoal dos direitos humanos” só defendem direitos para&#8230; “bandidos”. Por outro lado, é interessante notar, também, que muitos dos que demonizam os direitos humanos no Brasil são os mesmos que ficam perplexos com o menor desrespeito a esses direitos na Venezuela, por exemplo.</p>



<p>O que existe, na verdade, é uma grande distorção e um generalizado desconhecimento da população em relação ao que sejam esses direitos humanos. Arrisco dizer que a maioria dos que esbravejam sobre o temanunca sequer deram uma lida na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Para que fique claro, direitos humanos são garantias fundamentais que devem ser asseguradas a toda e qualquer pessoa no mundo, sem exceção, simplesmente pelo fato de pertencer à espécie humana.</p>



<p>Dentre essas garantias estão, por exemplo, o direito de não ser escravizado, de não ser submetido a torturas, nem a penas ou tratamentos cruéis, de não ser arbitrariamente preso, de que todos os cidadãos tenham liberdade de reunião e de associação pacíficas. Deve ser garantido, também, que as pessoas de qualquer nacionalidade devam ter direito à segurança pessoal e social, ao trabalho, a uma educação gratuita (pelo menos, no que concerne ao ensino elementar), dentre outras garantias&#8230;. Qualquer defensor legítimo dos direitos humanos deve manter uma luta constante para que todos os cidadãos brasileiros (considerando a nossa realidade) tenham esses direitos assegurados.</p>



<p>É importante frisar, também, que esses direitos humanos não são “invenção de petistas”, ou mesmo de “esquerdistas”, como alguns talvez imaginem. A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948, no entanto a discussão em torno desses princípios é bem mais antiga e remonta ao século XVIII, no contexto da Revolução Francesa.</p>



<p>Em 2018, logo após a Copa do Mundo da Rússia, viralizou na <em>internet</em> um gesto curioso, que acabou ficando conhecido como “Desafio Dele Alli”. O gesto consistia em uma espécie de monóculo feito com uma mão sobre o rosto, e era executado sempre que o meia-atacante inglês fazia um gol. Por ser curioso e apresentar certa dificuldade de realização, o gesto começou a ser repetido por muitos artistas em diversas partes do mundo. Vale ressaltar que Dele Alli, apesar de ter nascido no Reino Unido, é filho de pai nigeriano.</p>



<p>Em tempo, a Nigéria é o país mais populoso da África, onde grande parte da população vive na pobreza absoluta. O país, que é governado desde 2015 por militares eleitos por voto popular, tem grande desprezo pelos direitos humanos. A Anistia Internacional alerta que a tortura e outros tratamentos degradantes são realizados pela polícia contra mulheres, homens e até crianças. É importante destacar, no entanto, que o país apresenta uma série de conflitos internos de ordem, inclusive, religiosa e étnica e que os desrespeitos aos direitos humanos não são práticas recentes.</p>



<p>Dias após a repercussão do referido desafio, Felix Orode, um jogador nigeriano, que joga no futebol argentino, deu sua versão sobre a origem do gesto. Segundo ele, tratar-se-ia de um ato de solidariedade de Dele Alli às atrocidades cometidas pelas forças de segurança do governo nigeriano, pois, de acordo com o jogador, dentre os castigos mais populares naquele país, está a extirpação dos olhos. Nesse contexto, no moderno jargão africano, quem é preso pelos militares e consegue sair de olhos intactos, faz esse símbolo para mostrar que sobreviveu. Não se sabe, de fato, se essa é, realmente, a origem do gesto, mas ainda que não seja, o relato de Orode traz uma reflexão sobre a situação da Nigéria.</p>



<p>Os direitos humanos, como é reforçado logo no preâmbulo da declaração de 1948, são inalienáveis, constituem o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo e o seu desrespeito pode levar à barbárie. Em suma, acrescento que a defesa e a garantia desses direitos independem de ideologias políticas e são um pressuposto básico para a manutenção e aperfeiçoamento da democracia em qualquer país.</p>



<p>Por fim, é preciso reconhecer que ainda temos muito a avançar na construção de um mundo melhor e mais pacífico. Devemos lutar por uma maior civilidade e pela garantia dos direitos individuais e coletivos, sem relativizar qualquer desrespeito a esses princípios, onde quer que ocorram. Em última instância, é mais sensato defender os direitos humanos sejam garantidos&#8230; Para todo e qualquer humano.</p>



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<p><a href="https://anistia.org.br/noticias/violencia-morte-e-injustica-um-guia-para-iniciantes-em-direitos-humanos-na-nigeria/" data-type="URL" data-id="https://anistia.org.br/noticias/violencia-morte-e-injustica-um-guia-para-iniciantes-em-direitos-humanos-na-nigeria/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://anistia.org.br/noticias/violencia-morte-e-injustica-um-guia-para-iniciantes-em-direitos-humanos-na-nigeria/</a></p>



<p><a href="https://www.amnesty.org/download/Documents/4000/afr440112014en.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.amnesty.org/download/Documents/4000/afr440112014en.pdf</a></p>



<p><a href="https://br.sputniknews.com/mundo/201606024893797-guatanamo-torturas-presos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://br.sputniknews.com/mundo/201606024893797-guatanamo-torturas-presos/</a></p>



<p><a href="https://globoesporte.globo.com/futebol/futebol-internacional/futebol-ingles/noticia/dele-alli-lanca-novo-desafio-em-meio-a-discussao-sobre-origem-do-gesto.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://globoesporte.globo.com/futebol/futebol-internacional/futebol-ingles/noticia/dele-alli-lanca-novo-desafio-em-meio-a-discussao-sobre-origem-do-gesto.ghtml</a></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-link is-provider-midia-incorporada wp-block-embed-midia-incorporada"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<a href="https://analiseglobal.wordpress.com/2014/06/11/nigeria-direitos-humanos-e-democracia/">NIGÉRIA: DIREITOS HUMANOS E&nbsp;DEMOCRACIA</a>
</div></figure>
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			</item>
		<item>
		<title>Será que é verdade?</title>
		<link>https://gilliardsantos.art.br/sera-que-e-verdade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gilliard Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Sep 2018 06:00:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ARTIGOS DE OPINIÃO]]></category>
		<category><![CDATA[Acesso à informação]]></category>
		<category><![CDATA[Fake News]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias distorcidas]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias falsas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://gilliardsantos.art.br/?p=1956</guid>

					<description><![CDATA[</p>
<p>Antigamente as informações eram raras. Para se ter uma ideia, meu avô dizia que, durante a Segunda Guerra Mundial, mal ouvia falar no que estava ocorrendo no mundo, até porque morava no ser...</p>
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<p>Antigamente as informações eram raras. Para se ter uma ideia, meu avô dizia que, durante a Segunda Guerra Mundial, mal ouvia falar no que estava ocorrendo no mundo, até porque morava no sertão cearense e não tinha acesso a jornais ou mesmo rádio. Tudo o que ele conhecia sobre os acontecimentos daquela época se dava por meio de cartas, ou mesmo quando alguém viajava à capital e ficava sabendo de algo.</p>



<p>Hoje em dia, presenciamos o completo oposto dessa situação. Somos atualizados em tempo real; as informações nos chegam a cada minuto, aos montes, ao simples toque na tela de um <em>smarthphone</em>, na linha do tempo de qualquer rede social. No entanto, esse excesso de informações traz consigo alguns problemas e o maior deles talvez seja a questão da veracidade dos fatos.</p>



<p>As notícias falsas (também conhecidas como <em>Fake News</em>) são produzidas e divulgadas em grande quantidade. De um lado, quem as produz o faz, talvez, por brincadeira ou mesmo por má-fé, neste caso demostrando um grave desvio de caráter. Na outra ponta, as muitas pessoas que as repassam, muitas vezes, são apenas descuidadas e compartilham um <em>link </em>de maneira apressada, no ímpeto de fazer chegar a seus amigos algo que reforce a sua ideologia política, sua visão religiosa ou seu pensamento sobre determinado tema.</p>



<p>Essas <em>Fake News</em>, em geral notícias distorcidas, descontextualizadas ou mesmo completamente sem fundamento, costumam ser muito sedutoras e normalmente se encaixam perfeitamente como argumento para reforçar aquilo que certas pessoas já acreditavam previamente. E, no calor do momento, muitos internautas saem republicando as postagens sem terem um mínimo critério, sem fazerem nem mesmo uma pesquisa rápida para averiguar a veracidade das informações compartilhadas. Como resultado de tudo isso, vemos diariamente muitas informações mentirosas sendo divulgadas, sobretudo nas redes sociais.</p>



<p>Na verdade, grande parte das notícias falsas pode ser facilmente contestada, se for utilizado um pouco de bom senso. Além do mais, a grande maioria dessas <em>Fake News</em> pode ser desmascarada após uma simples busca no Google. Contudo, mais especificamente, existem alguns sites clássicos que ajudam a esclarecer os boatos que circulam na internet, como é o caso do <a href="http://www.e-farsas.com">www.e-farsas.com</a> (criado em 2002) e do <a href="http://www.boatos.org">www.boatos.org</a> (criado em 2013).</p>



<p>Além desses portais mais tradicionais, têm surgido alguns sites no Brasil que visam esclarecer as mentiras publicadas na rede (os chamados <em>fact checking</em>). Na verdade, algumas dessas iniciativas mais recentes (como o Fatos ou Fakes, do G1, e a Agência Lupa, do grupo Folha, dentre muitas outras) têm sido questionadas a respeito da sua própria idoneidade; apesar disso, elas representam uma iniciativa que deve se consolidar ao longo do tempo.</p>



<p>A nós, usuários das redes sociais, resta-nos ficarmos muito atentos a quem publica informação falsa. Se uma página ou algum amigo (aquele tiozão do <em>Whatsapp</em>, por exemplo) tem o hábito de publicar informações inverídicas, por qualquer que seja a motivação, é preciso ser cauteloso ou mesmo evitar compartilhar ou repassar qualquer informação desta página ou pessoa sem uma rigorosa checagem prévia. É que cada perfil nas redes sociais passa a ser, ao mesmo tempo, consumidor e produtor de informação, e não podemos esquecer que nós, enquanto usuário da rede, assumimos a responsabilidade pelas informações que levamos adiante.</p>



<p>Em março de 2018, poucos dias após o trágico assassinato de Marielle Franco, tornou-se muito conhecida a mentira caluniosa que tentava ligar a vereadora a traficantes. Essa <em>Fake News</em> ganhou ainda mais notoriedade por ter sido criada por uma desembargadora do Rio de Janeiro, alguém de quem se esperaria um mínimo de credibilidade. Mais recentemente, o lamentável episódio de agressão ao presidenciável Jair Bolsonaro serviu de combustível para alimentar mais um sem-fim de notícias falsas, de todos os lados.</p>



<p>O fato é que caminhamos de um extremo a outro em relação ao acesso à informação e, ao final dessa caminhada, concluímos que o conhecimento acerca dos eventos que ocorrem no mundo atualmente fica quase tão prejudicado quanto na época em que meu avô era adolescente. E é preciso compreender, mais do que nunca, que credibilidade é algo que demoramos muito tempo para conquistar, mas que podemos perder em poucas postagens.</p>
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		<title>Diz-me com quem andas…</title>
		<link>https://gilliardsantos.art.br/diz-me-com-quem-andas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gilliard Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Aug 2018 04:50:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ARTIGOS DE OPINIÃO]]></category>
		<category><![CDATA[Eleição]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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<p>Mesmo aqueles que dizem não gostar de política, não podem fugir dela, até porque, inclusive a decisão de não ir às urnas, ou de votar em branco ou nulo, continua sendo uma decisão política....</p>
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<p>Mesmo aqueles que dizem não gostar de política, não podem fugir dela, até porque, inclusive a decisão de não ir às urnas, ou de votar em branco ou nulo, continua sendo uma decisão política. O fato é que, em ano de eleição, todos os cidadãos acabam sendo afetados, ainda que não queiram.</p>



<p>Em cidades pequenas, por exemplo, é comum que o prefeito e cada vereador apareçam com o seu candidato, muitas das vezes, escolhido sem nenhum critério ideológico, mas apenas por esse candidato ter oferecido certa quantia em dinheiro pelo apoio, numa espécie de leilão, onde só quem perde é o povo.</p>



<p>Diante dessas situações, resta aos eleitores seguir uma dica muito sábia: analise muito bem as alianças políticas de cada candidato, pois essa é uma variável extremamente importante no atual sistema brasileiro de apuração dos votos para deputado e vereador, o chamado Sistema Proporcional de Lista Aberta. Esse formato valoriza o coletivo, o que é excelente, mas, como infelizmente, muitas pessoas não entendem o seu funcionamento, abre espaço para que haja algumas distorções. Para aqueles que ainda não conhecem, segue uma explicação resumida.</p>



<p>Suponhamos que um estado hipotético tem 1.000 eleitores e 10 vagas de deputado federal. Assim sendo, cada vaga na Câmara corresponde a 100 votos (1.000 dividido por 100, o que é chamado também de quociente eleitoral). Suponhamos, ainda, que o Partido A, tinha 8 candidatos concorrendo a essa eleição e, somando-se os votos de todos esses candidatos juntos, esse partido obteve 200 votos. Nessa suposição, o Partido A conseguiria duas vagas (também chamado de quociente partidário) na Câmara, e os dois candidatos mais votados desse partido seriam eleitos, mesmo que o mais votado tenha obtido apenas, digamos, cinquenta votos, e o segundo, quarenta. É por isso que alguns candidatos populares (e, muitas vezes, sem nenhuma ideologia) são disputados por alguns partidos, porque são potenciais “puxadores de votos”. Foi o caso, por exemplo, de Tiririca, em São Paulo, que em 2010 garantiu, além da dele, mais três vagas da sua coligação para a câmara.</p>



<p>Se analisarmos de maneira sensata, a ideia do sistema é muito boa, por valorizar o grupo, e é preciso compreendermos que política é um processo eminentemente coletivo. No exemplo ilustrativo citado acima, quando um eleitor vota em um candidato do Partido A, não está votando simplesmente nesse candidato, mas, indiretamente, nos oito que compõem aquele grupo ou coligação da qual aquele partido faz parte, pois quando dois ou mais partidos formam uma chapa coligada, o cálculo é feito como sendo um grupo só. Ou seja: o voto dado a um deputado de um partido pode ajudar a eleger o candidato do outro partido daquela coligação. Quem votou em Tiririca, não votou apenas em Tiririca. Assim sendo, é preciso analisar muito bem, não somente o candidato, mas os demais candidatos daquele partido e dos partidos que compõem toda a chapa, para que não corramos o risco de levarmos gato por lebre.</p>



<p>O que é de se lamentar, no entanto, é que haja pouca informação sobre esse sistema e que muitos eleitores não tenham conhecimento do sistema político vigente no país, uma informação que poderia [e deveria] ser ensinada nas escolas.</p>



<p>É importante destacar que os deputados e senadores são tão ou mais importantes que o presidente da república, para o desenvolvimento e bom funcionamento de um país; nós, brasileiros, aprendemos isso a duros golpes, após a queda de Dilma Roussef, em 2016. Para esta e as próximas eleições, precisamos ficar muito atentos, e quando qualquer pessoa nos vier apresentar um postulante a deputado e pedir nosso voto, é preciso analisar vários aspectos, mas um deles é fundamental. Faça uma pergunta simples e objetiva para o candidato em questão: diz-me com quem andas?</p>
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		<title>A copa acabou&#8230; E agora, José?</title>
		<link>https://gilliardsantos.art.br/a-copa-acabou-e-agora-jose/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gilliard Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Jul 2018 04:45:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ARTIGOS DE OPINIÃO]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Copa do Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Rússia]]></category>
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<p>A copa terminou. Os brasileiros, em sua maioria, torceram, gritaram, sorriram, ficaram tristes, choraram... O maior evento do mundo dedicado a uma única modalidade sempre acaba mexendo um p...</p>
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<p>A copa terminou. Os brasileiros, em sua maioria, torceram, gritaram, sorriram, ficaram tristes, choraram&#8230; O maior evento do mundo dedicado a uma única modalidade sempre acaba mexendo um pouco com a rotina até mesmo daqueles que não gostam de futebol. E para os que gostam, então, é um grande momento para confraternizar e apreciar o esporte.</p>



<p>Nesta edição de 2018, alguns pontos chamaram a atenção. Negativamente, vale lembrar daqueles brasileiros que foram até a Rússia passar vergonha, promovendo episódios de misoginia, inadmissíveis para o século XXI. Aqui no Brasil, diante da repercussão negativa na mídia, algumas pessoas, inclusive nas redes sociais, tentavam defender os envolvidos ou pelo menos atenuar a gravidade dos atos, como se estes fossem minimamente justificáveis. Verifica-se, portanto, que muitas pessoas ainda aceitam o machismo como algo tolerável socialmente e fica claro que ainda temos muito a avançar em relação a essas pautas.</p>



<p>Ainda no âmbito negativo, ficou claro o quanto a Rússia está atrasada em relação aos direitos individuais, sobretudo no que se refere à questão da orientação sexual. Soou como extremamente patética a orientação para que casais homoafetivos não trocassem carícias em público. Além do mais, um ativista LGBT foi detido após protestar (sozinho e de maneira absolutamente pacífica) em uma praça de Moscou.</p>



<p>Mas em termos gerais a copa foi um sucesso. A seleção brasileira não conquistou o título, como a maioria dos brasileiros sempre sonha, mas perdeu com dignidade, lutando, jogando bem (embora no futebol, nunca haja consenso). É preciso compreendermos, no entanto, que nem sempre se ganha, que a derrota tem muito a ensinar e que sair de uma competição de cabeça erguida é uma grande virtude e valoriza mais ainda o título de quem ganhou.</p>



<p>A copa inspira, nos faz torcer por países com pouca tradição no futebol, como o Panamá,&nbsp; uma seleção que já se considerava campeã apenas por participar do torneio; nos faz lembrar de países que não são tão referenciados no nosso dia a dia, como a própria Bélgica, que eliminou o Brasil; nos faz pensar em questões históricas e de geopolítica, como os inúmeros <em>memes</em> divulgados nas redes sociais, fazendo referência a Alemanha e União Soviética na segunda guerra mundial; nos faz refletir sobre a questão da imigração quando vimos que muitos jogadores da campeã França são de origem africana&#8230; Por essas e outras questões, a copa é um evento memorável.</p>



<p>Por fim, na cerimônia de premiação, ganhou destaque a atitude da presidente da Croácia, a populista conservadora Kolinda Grabar-Kitarovic. Vestida com a camisa da seleção, ela permaneceu, mesmo na chuva, distribuindo abraços e consolando os jogadores do seu país, que haviam perdido a final para a França. Além do mais, chamou a atenção (o que não deveria, até porque é o correto) porque ela pagou do próprio bolso as passagens e hospedagens e ainda descontou do seu salário os dias não trabalhados.</p>



<p>Essa repercussão apenas reflete a descrença dos brasileiros em relação à representação política e ao mau exemplo de muitos políticos do nosso país. No entanto, é preciso tem muito cuidado, pois no desespero em buscar inspiração, muitos acabaram por se encantar com essa representante da extrema direita, que flerta com o nazismo&#8230;</p>



<p>Mas a copa acabou. Agora retornamos à nossa rotina e nos voltamos para a eleição que se aproxima. Poderemos ter uma revolução em outubro ou pode ser que mantenhamos os mesmos políticos que aí estão, acabando como nosso país e com os direitos dos trabalhadores. Temos que escolher nossos governantes e nesse processo há muita discussão, muita divergência&#8230; Mas uma coisa é certa: apurados os resultados das votações, marcharemos todos juntos&#8230; Para onde? Outubro nos dirá&#8230;</p>



<hr class="wp-block-separator is-style-default"/>



<p>Fontes:</p>



<p><a href="https://www.nexojornal.com.br/explicado/2018/06/14/Copa-a-hist%C3%B3ria-e-o-futuro-do-maior-torneio-esportivo-do-planeta" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.nexojornal.com.br/explicado/2018/06/14/Copa-a-hist%C3%B3ria-e-o-futuro-do-maior-torneio-esportivo-do-planeta</a></p>



<p><a href="http://esporte.ig.com.br/futebol/copa-do-mundo-2018/2018-06-05/copa-do-mundo-gays-proibidos.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">http://esporte.ig.com.br/futebol/copa-do-mundo-2018/2018-06-05/copa-do-mundo-gays-proibidos.html</a></p>



<p><a href="https://extra.globo.com/esporte/copa-2018/ativista-de-direitos-lgbt-detido-em-moscou-por-protestar-durante-copa-22778313.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://extra.globo.com/esporte/copa-2018/ativista-de-direitos-lgbt-detido-em-moscou-por-protestar-durante-copa-22778313.html</a></p>



<p><a href="https://internacional.estadao.com.br/blogs/radar-global/as-polemicas-nacionalistas-da-presidente-da-croacia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://internacional.estadao.com.br/blogs/radar-global/as-polemicas-nacionalistas-da-presidente-da-croacia/</a></p>
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		<item>
		<title>A descrença na política</title>
		<link>https://gilliardsantos.art.br/a-descrenca-na-politica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gilliard Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Jul 2018 04:37:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ARTIGOS DE OPINIÃO]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos de Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Descrença na Política]]></category>
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					<description><![CDATA[</p>
<p>No período político turbulento pelo qual estamos passando, é comum que haja certo descrédito de uma parcela da população em relação àqueles que deveriam nos representar. Esse descrédito é, ...</p>
<p>O post <a href="https://gilliardsantos.art.br/a-descrenca-na-politica/">A descrença na política</a> apareceu primeiro em <a href="https://gilliardsantos.art.br">Gilliard Santos</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>No período político turbulento pelo qual estamos passando, é comum que haja certo descrédito de uma parcela da população em relação àqueles que deveriam nos representar. Esse descrédito é, de certo modo, justificado, pois não são poucos os exemplos de políticos que se aproveitam dos cargos que lhes foram concedidos para tirarem proveitos pessoais e cometerem ilícitos.</p>



<p>Nesse mar de desânimo, é comum também vermos pessoas repetindo que se deve fazer uma renovação política e não reeleger nenhum candidato. Quem defende esse princípio acaba colocando no mesmo patamar todos os representantes políticos, o que é, obviamente, um grande erro. Embora sejam minoria, existem políticos comprometidos com a população, basta olhar os resultados das votações mais importantes do Congresso Nacional.</p>



<p>Por outro lado, muitas pessoas acreditam que não têm o poder de mudar a situação política; esses cidadãos carregam um sentimento de impotência em relação à situação na qual nos encontramos. Isso se deve, em muito, ao fato de que a cada nova eleição, apesar de alguns nomes serem mudados, as práticas, muitas vezes, continuam sendo as mesmas.</p>



<p>No entanto, a questão é mais simples do que possa parecer: é preciso que a população comece a votar em seus pares. Comecemos a mudar a lógica de que quem não tem dinheiro não pode ser eleito. Essa ideia absurda infelizmente ainda está na cabeça de muita gente.&nbsp; É preciso que comecemos a eleger cidadãos comuns para serem nossos representantes, e não apenas os empresários e seus filhos.</p>



<p>Recentemente, houve uma experiência muito interessante na Assembleia Legislativa do Ceará, quando Nestor Bezerra (Psol) assumiu por quatro meses o cargo de deputado estadual. O fato chamou a atenção, sobretudo, porque Nestor é pedreiro de profissão e foi o segundo operário da construção civil a assumir aquele cargo na história do estado.</p>



<p>Esse fato não deveria ser uma exceção; deveria ser a regra. A eleição está se aproximando, e que mais pedreiros, serventes, costureiras, motoristas, agricultores e várias outras profissões sejam representadas no congresso e nas assembleias do país. Se alguém que saiu do nosso meio não souber nos representar, fica difícil acreditar que aqueles que nunca sofreram na pele os problemas que a população enfrenta o faça.</p>



<p>Um outro ponto em que é importante ficar atento diz respeito às coligações que são feitas nas eleições, pois como o voto para deputado é proporcional, é preciso analisar muito bem não somente o candidato em quem votar, mas também o grupo ao qual aquele candidato está unido, pois é possível que votemos em determinado candidato e acabemos beneficiando outro que não tenha compromisso nenhum com o povo. Por fim, a solução para mudar a situação na qual nos encontramos não é negar a política ou simplesmente ficar reclamando dela, mas ocupá-la. Devemos melhorar nossa representação e procurar interferir cada vez mais nas decisões que são tomadas todos os dias. Na eleição de outubro, teremos uma grande chance de começar a mudar nossa realidade.</p>
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		<item>
		<title>A(r)mai-vos uns aos outros</title>
		<link>https://gilliardsantos.art.br/armai-vos-uns-aos-outros/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gilliard Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Jan 2018 03:35:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ARTIGOS DE OPINIÃO]]></category>
		<category><![CDATA[Arma de fogo]]></category>
		<category><![CDATA[Bancada da bala]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Segurança pública]]></category>
		<category><![CDATA[Violência]]></category>
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					<description><![CDATA[</p>
<p>Sou muito fã do diretor estadunidense Quentin Tarantino. Assisti a quase todos os seus trabalhos. Seus filmes são conhecidos por terem diálogos bem construídos, por trazerem referências bas...</p>
<p>O post <a href="https://gilliardsantos.art.br/armai-vos-uns-aos-outros/">A(r)mai-vos uns aos outros</a> apareceu primeiro em <a href="https://gilliardsantos.art.br">Gilliard Santos</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Sou muito fã do diretor estadunidense Quentin Tarantino. Assisti a quase todos os seus trabalhos. Seus filmes são conhecidos por terem diálogos bem construídos, por trazerem referências bastante inteligentes, inclusive, fazendo conexões entre suas obras e, sobretudo, por terem sangue, muito sangue. A violência em seus filmes é retratada enfaticamente, às vezes, de maneira quase caricata.</p>



<p>Seu último longa-metragem, Os Oito Odiados (2015), é bastante extenso, tendo quase três horas de duração. Situado em um período que sucede a Guerra da Secessão, o longa conta a história de oito pessoas que estão hospedadas em uma pousada afastada e isolada, procurando fugir de uma rigorosa nevasca. É nessa pousada que ocorre grande parte do filme, onde os personagens começam a descobrir informações uns dos outros e, ao final, tudo acaba em sangue. Essa última revelação não é necessariamente um <em>spoiler</em> porque todos os filmes de Tarantino acabam em muito sangue.</p>



<p>A história do filme traz algumas possibilidades de reflexão, inclusive históricas, pois está envolta em toda uma questão racial, que ainda hoje é observada por lá, nos EUA, mas que era muito mais marcante logo após a abolição da escravatura nas terras ianques. Mas entre tantas questões que merecem debates profundos, uma delas é a forte presença das armas no cotidiano e na própria cultura dos norte-americanos.</p>



<p>Por outro lado, aqui no Brasil, diante do cenário de grande violência, as pessoas costumam procurar fórmulas fáceis, soluções simplórias, achando que vão resolver o problema. Uma dessas soluções ilusórias é a ideia de que armando a população estaremos mais seguros. Essa era uma das promessas de campanha de Jair Bolsonaro e foi cumprida em um dos seus primeiros atos do mandato, com a assinatura do decreto que facilita a posse de armas no país.</p>



<p>Não podemos ser inocentes em pensar que não haja interesses econômicos por trás dessa decisão. A indústria armamentista só tem a ganhar com a flexibilização do acesso às armas pelos cidadãos brasileiros. Para se ter uma ideia, as ações da empresa brasileira <em>Taurus</em> (FJTA4) cresceu de maneira vertiginosa no ano de 2018, acompanhando o desempenho eleitoral de Bolsonaro e, apesar de ter apresentado uma surpreendente queda logo após as eleições, atualmente, encontra-se com valorização acima de 200% em comparação a um ano atrás.</p>



<p>Ainda sobre a relação entre a indústria bélica e a política, em 2014, as empresas de armas financiaram as campanhas de 21 parlamentares. A partir das eleições de 2018, não foram mais permitidas as doações de pessoas jurídicas para campanhas políticas, mas não sejamos tolos de achar que essas empresas deixaram de influenciar de alguma forma na campanha desses candidatos.</p>



<p>Com relação ao impacto prático das armas na sociedade, estudos do Mapa da Violência revelam que muitas vidas foram poupadas desde a aprovação do Estatuto do Desarmamento, em 2003, quando houve algumas restrições em relação ao porte e a posse de armas de fogo e munição no país. É que as armas na mão do cidadão podem dar uma falsa sensação de segurança individual, mas não contribuem para a segurança coletiva, esta que deve ser ofertada pelo estado.</p>



<p>Além do mais, é comum, infelizmente, que vejamos inúmeros casos de policiais que são mortos, inclusive, à paisana, quando estão de folga, simplesmente porque reagem a assaltos e são alvejados por bandidos. Levando-se em consideração que um policial é bem mais preparado para portar uma arma de fogo que um cidadão médio, é de se supor que aumentar o número de civis utilizando armas no dia a dia pode ser um verdadeiro tiro no pé, literalmente.</p>



<p>Algumas pessoas usam como exemplo justamente os EUA, que apresentam bem menos homicídios que o Brasil (de fato), para defenderem por aqui a facilitação ao porte de armas. Mas é preciso lembrar que a criminalidade de um país é influenciada por inúmeros fatores, dentre eles, inclusive, o nível de desigualdade, e nesse <em>ranking</em> estamos entre os dez países mais desiguais do mundo.</p>



<p>Assim sendo, é extremamente desonesto comparar os números de violência dos EUA com os do Brasil. Mas para fazermos uma análise mais justa, o certo seria comparar as taxas de homicídios de dois países igualmente desenvolvidos. Nesse caso, podemos comparar Estados Unidos e Japão. Vale ressaltar que esses dois países tratam o armamento da população de maneira totalmente oposta: enquanto nos EUA as armas são facilmente acessíveis pela população, no Japão há um controle bastante rígido. Por sua vez, a taxa de homicídios nos EUA é pelo menos cinco vezes maior que a do Japão.</p>



<p>Mas “quem matam não são as armas, são as pessoas”; e “quem quer matar alguém, pode fazê-lo até mesmo usando utensílios de cozinha”, costumam argumentar os que defendem a flexibilização ao acesso de pistolas e revólveres. Mas se o acesso às armas de fogo não fosse tão fácil nos EUA, é possível que, por exemplo, houvesse bem menos tiroteios em escolas norte-americanas. Até porque, convenhamos, uma pistola faz um estrago bem maior do que uma faca de mesa.</p>



<p>É preciso levar em consideração que, em um país dividido como o Brasil, é possível que tenhamos bem mais que oito odiados. E com uma maior flexibilidade para que os “cidadãos de bem” adquiram armas de fogo, os acidentes e crimes passionais podem aumentar consideravelmente, podendo se tornarem comuns as cenas <em>à la</em> Tarantino no nosso dia a dia. Em vez de se armarem, devemos lutar para que as pessoas se amem ou, ao menos, se respeitem. E, sinceramente, se tiver que escolher entre a política armamentista dos EUA e a do Japão, prefiro a do último sem sombra de dúvidas.</p>



<hr class="wp-block-separator is-style-default"/>



<figure class="wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-congresso-em-foco wp-block-embed-congresso-em-foco"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="2RXlF80C3x"><a href="https://congressoemfoco.uol.com.br/especial/noticias/industria-reduz-em-r-1-mi-doacoes-a-bancada-da-bala/">Indústria de armas financiou 21 parlamentares</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Indústria de armas financiou 21 parlamentares&#8221; &#8212; Congresso em Foco" src="https://congressoemfoco.uol.com.br/especial/noticias/industria-reduz-em-r-1-mi-doacoes-a-bancada-da-bala/embed/#?secret=2RXlF80C3x" data-secret="2RXlF80C3x" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
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<p><a href="https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/10/09/eleicoes-2018-bancada-da-bala-senado-major-olimpio-bolsonaro.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/10/09/eleicoes-2018-bancada-da-bala-senado-major-olimpio-bolsonaro.htm</a></p>



<p><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-43071854" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.bbc.com/portuguese/internacional-43071854</a></p>



<p><a href="https://temas.folha.uol.com.br/e-agora-brasil-seguranca-publica/policia/mais-armas-de-fogo-em-circulacao-no-mercado-levam-a-mais-assassinatos.shtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://temas.folha.uol.com.br/e-agora-brasil-seguranca-publica/policia/mais-armas-de-fogo-em-circulacao-no-mercado-levam-a-mais-assassinatos.shtml</a></p>



<p><a href="https://oglobo.globo.com/economia/brasil-o-10-pais-mais-desigual-do-mundo-21094828" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://oglobo.globo.com/economia/brasil-o-10-pais-mais-desigual-do-mundo-21094828</a></p>



<p><a href="http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2016/11/policiais-japoneses-enfrentam-um-problema-falta-do-que-fazer.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2016/11/policiais-japoneses-enfrentam-um-problema-falta-do-que-fazer.html</a></p>



<p><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/com-10-das-armas-dos-eua-brasil-tem-taxa-de-homicidios-com-armas-de-fogo-5-vezes-maior-6zn5gstr2xtthjth8y77xsi67/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/com-10-das-armas-dos-eua-brasil-tem-taxa-de-homicidios-com-armas-de-fogo-5-vezes-maior-6zn5gstr2xtthjth8y77xsi67/</a></p>



<p><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1995/9/03/brasil/22.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1995/9/03/brasil/22.html</a></p>



<p><a href="https://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,enxugando-gelo-imp-,1146086" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,enxugando-gelo-imp-,1146086</a></p>



<p><a href="https://economia.uol.com.br/cotacoes/noticias/redacao/2018/09/21/bolsonaro-eleicoes-taurus-salto-acao-fabricante-de-armas-bolsa.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://economia.uol.com.br/cotacoes/noticias/redacao/2018/09/21/bolsonaro-eleicoes-taurus-salto-acao-fabricante-de-armas-bolsa.htm</a></p>



<p><a rel="noreferrer noopener" href="https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2017/10/02/eua-registraram-273-ataques-com-armas-em-2017-quase-um-por-dia.htm" target="_blank">https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2017/10/02/eua-registraram-273-ataques-com-armas-em-2017-quase-um-por-dia.htm</a></p>
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